sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

A Casa dos Espiritos

O filme tem uma produção em estilo novelão, o que necessariamente não deprecia a obra. O filme procura abordar as profundas transformações políticas, econômicas e sociais sofridas pelo Chile no século XX, pela figura de Esteban Trueba, interpretado de forma competente por Jeremy Irons: um homem humilde, sem dinheiro, que viu a prosperidade advindo da exploração da terra, o loteamento político exercido por uma aristocracia machista e conservadora e, por último, as formas de resistência surgidas desse processo, na figura de Pedro, papel feito por Antonio Banderas. Filho de camponês, o jovem Pedro é uma figura imponente, pode-se até dizer que ele seria o salvador da pátria dos mais humildes, os empregados do carrasco latifundiário. Essa foi uma realidade vivida não apenas no Chile, mas em toda a socidade sul-americana. Outro ponto que também chama a atenção é renegação do filho bastardo de Esteban, o que configura a estratificação familiar.
O filme procura evitar maniqueísmos, embora evidencie a vitimização das relações pessoais ocorridas como conseqüência do embrutecimento exercido por tal aristocracia. Perversa mesma é a ditadura implantada por Pinochet, que leva de roldão tanto a esquerda festiva, quanto a mesma aristocracia narrada na obra. Melhor seria se o filme fosse falado em espanhol, isso daria um toque a mais de realidade a trama. Suas abordagens políticas e sociais tendem a agradar a uma platéia mais cult, já seu contexto familiar tende a agradar um público mais sensível à questões pessoais, que de alguma forma, possuem preocupações com igualdade entre os sexos e a necessidade da estruturação familiar.
Luis Gustavo

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